Sedução sem fim

Sedução perigosa
aproximas sem vergonha
seres incompatíveis por natureza
trapaceados pela tua beleza!

Um dia acabas com a ilusão
olhas para o chão desconsolada
vês um amor esculpido
sofres o transe interrompido

Sonhas com uma chama eterna
De um mundo sempre livre
mas livre ninguém é sempre
e o tempo nunca nos mente

Natureza louca
fardo chato que carrego
este impulso de dizer-te a ti
sempre, sempre que sim

Um dia perco a paciência
e começo uma vida tranquila;
Mas onde é que eu deixei
o chá de camomila?

 

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Komorebi

Gostava de viver contigo
Não dentro de um espaço
Mas sobre o espaço e através dele
Livre.
Num lugar onde eu sou mais eu e tu és mais tu
Pois sozinha não tenho a certeza de quem sou.
Tenho uma ideia, mas perco-me nela
E vejo que tu também.

Gostava de viajar contigo
De andar de carro por aí
De ouvir a música que escolheste
De cabelo ao vento e pés no tablier
De partilhar contigo o silêncio das viagens longas
De cantar contigo alto quando aquela canção toca
De te ouvir dizer que estou a exagerar
De saber o que pensas do presidente, da religião e da tua mente.

Gostava de aprender contigo
És um bicho estranho para mim
Mas não tão estranho assim
És rebuscado, complicado e assanhado
Um pouco mas sexy e serias fútil
Um pouco mais homem e serias bruto
És a dose certa de sexy e de homem num só ser
Para mim estás bem assim.

Gostava de arriscar contigo
De experimentar alguém diferente, tão diferente que faz sentido
Alguém calmo que me amoleça
Que me tire a ansiedade
Que me mostre o outro lado
De um mundo sem vaidade
E eu prometo ensinar-te a voar
A sorrir, a brincar e a bailar.

Pelos que odeiam

Quem não aceita a vida com o sofrimento que ela carrega, dá-nos a todos um enorme elogio: o ódio só surge a partir do amor. Amor pelos que ama, pelos seus inimigos e mesmo por aqueles que ainda não conhece. Pelos que sofrem, pelos que riem, pelos índios nas montanhas, pelos patrões malvados, pelos trabalhadores felizes e as donas de casa; pelo leite queimado, pelo arroz estufado, pela manga viscosa; pelos leões magistrais, pelo mosquito no quarto, pelo pequeno-almoço apressado.

Porque quem odeia, odeia tudo. Odeia tudo na sua totalidade. Odeia as coisas boas e más, as longas e curtas, as que dão lucro e as que não dão. Odeia tudo porque ama tudo. E não nos podemos deixar de sentir lisonjeados quando encontramos alguém que ama tanto. Alguém que se sente injustiçado simplesmente por saber que um dia vai ter que deixar de amar.

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