Pelos que odeiam

Quem não aceita a vida com o sofrimento que ela carrega, dá-nos a todos um enorme elogio: o ódio só surge a partir do amor. Amor pelos que ama, pelos seus inimigos e mesmo por aqueles que ainda não conhece. Pelos que sofrem, pelos que riem, pelos índios nas montanhas, pelos patrões malvados, pelos trabalhadores felizes e as donas de casa; pelo leite queimado, pelo arroz estufado, pela manga viscosa; pelos leões magistrais, pelo mosquito no quarto, pelo pequeno-almoço apressado.

Porque quem odeia, odeia tudo. Odeia tudo na sua totalidade. Odeia as coisas boas e más, as longas e curtas, as que dão lucro e as que não dão. Odeia tudo porque ama tudo. E não nos podemos deixar de sentir lisonjeados quando encontramos alguém que ama tanto. Alguém que se sente injustiçado simplesmente por saber que um dia vai ter que deixar de amar.

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Passando pela casa amarela

A vida não é difícil. Nós é que complicamos. Passar pela vida devia ser simples… afinal, só estamos a passar por ela. Tal como se passássemos por uma casa amarela.
A casa está ali. E nós estamos de carro. Podemos ficar nevosos por não a ver. Ou por não saber onde termina. Podemos ter medo de quem vive lá dentro. Podemos até resistir passar por ela, ao lembrar os momentos que amámos e sofremos dentro dela. Mas no final de contas, parece estranho preocuparmo-nos tanto. Afinal, é só uma casa amarela. E nós só estamos a passar por ela.

Spontaneous Poem au Turkey Sauté

I felt something was coming, so decided to record it while it was happening:

Poema Espontaneo from notjustsomeonelse on Vimeo.

Sabe o que eu quero?

Uma casa com vista para a felicidade.

Nao precisa de ser muita…
Precisa de ser toda.

Nao precisa de ser alta, coberta de ouro.
Precisa de ser coberta de nada.

Nada de mentiras, nada de promessas, nada de falsas esperanças.

A felicidade que eu quero ver,
É a felicidade que existe mesmo de olhos fechados.

Inspira e sente.
Expira e sofre.

Não dá para reter a felicidade dentro de mim.
Dá para flutuar sobre ela.

Fica, vai. Fica, vai.
Então porque não vou eu?

Se alguém tem que ir, prefiro ir eu.
E deixar essa felicidade aqui.

Não é uma decisão difícil.
Não tem outro jeito…

Porque quem inspira, expira.

É essa a casa que eu quero ter.
Uma casa com vista para a felicidade.

Com muros baixos.
Com barreiras invisíveis de uma sociedade que se quer.

Um espelho da minha alma
que reflete todas as estrelas desse universo…

Mesmo aquelas que ainda não aconteceram.