Uma mensagem para os vivos

Quando eu morrer
Sera que o sol vai parar de brilhar?
As nuvens de passar?
E a lua de hipnotizar?

Casais enamorados
Barrigudos enfartados
Gatos assustados
Nada vai parar de pulsar.

Ao invés, tudo em que eu toquei
E todos os que amei
Estarão mais ricos e suculentos
Graças à minha presença eterna

Sem mim nada seria assim
Seria algo diferente
Algo mais voçê, ou mais ele.
Mas não seria uma parte de mim.

Então eu não morro.
Eu nasco e permaneço
No coração de todos com quem comemorei
E na memória de todos os que atrapalhei

Quando eu morrer
O sol vai continuar a brilhar
As nuvens a passar
E a lua a hipnotizar

E eu vou continuar a vaguear
Só que mais leve e descansada
Através de todos os que me amam
E têm a coragem de lembrar.

Pelos que odeiam

Quem não aceita a vida com o sofrimento que ela carrega, dá-nos a todos um enorme elogio: o ódio só surge a partir do amor. Amor pelos que ama, pelos seus inimigos e mesmo por aqueles que ainda não conhece. Pelos que sofrem, pelos que riem, pelos índios nas montanhas, pelos patrões malvados, pelos trabalhadores felizes e as donas de casa; pelo leite queimado, pelo arroz estufado, pela manga viscosa; pelos leões magistrais, pelo mosquito no quarto, pelo pequeno-almoço apressado.

Porque quem odeia, odeia tudo. Odeia tudo na sua totalidade. Odeia as coisas boas e más, as longas e curtas, as que dão lucro e as que não dão. Odeia tudo porque ama tudo. E não nos podemos deixar de sentir lisonjeados quando encontramos alguém que ama tanto. Alguém que se sente injustiçado simplesmente por saber que um dia vai ter que deixar de amar.

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