Uma mensagem para os vivos

Quando eu morrer
Sera que o sol vai parar de brilhar?
As nuvens de passar?
E a lua de hipnotizar?

Casais enamorados
Barrigudos enfartados
Gatos assustados
Nada vai parar de pulsar.

Ao invés, tudo em que eu toquei
E todos os que amei
Estarão mais ricos e suculentos
Graças à minha presença eterna

Sem mim nada seria assim
Seria algo diferente
Algo mais voçê, ou mais ele.
Mas não seria uma parte de mim.

Então eu não morro.
Eu nasco e permaneço
No coração de todos com quem comemorei
E na memória de todos os que atrapalhei

Quando eu morrer
O sol vai continuar a brilhar
As nuvens a passar
E a lua a hipnotizar

E eu vou continuar a vaguear
Só que mais leve e descansada
Através de todos os que me amam
E têm a coragem de lembrar.

Komorebi

Gostava de viver contigo
Não dentro de um espaço
Mas sobre o espaço e através dele
Livre.
Num lugar onde eu sou mais eu e tu és mais tu
Pois sozinha não tenho a certeza de quem sou.
Tenho uma ideia, mas perco-me nela
E vejo que tu também.

Gostava de viajar contigo
De andar de carro por aí
De ouvir a música que escolheste
De cabelo ao vento e pés no tablier
De partilhar contigo o silêncio das viagens longas
De cantar contigo alto quando aquela canção toca
De te ouvir dizer que estou a exagerar
De saber o que pensas do presidente, da religião e da tua mente.

Gostava de aprender contigo
És um bicho estranho para mim
Mas não tão estranho assim
És rebuscado, complicado e assanhado
Um pouco mas sexy e serias fútil
Um pouco mais homem e serias bruto
És a dose certa de sexy e de homem num só ser
Para mim estás bem assim.

Gostava de arriscar contigo
De experimentar alguém diferente, tão diferente que faz sentido
Alguém calmo que me amoleça
Que me tire a ansiedade
Que me mostre o outro lado
De um mundo sem vaidade
E eu prometo ensinar-te a voar
A sorrir, a brincar e a bailar.

Pelos que odeiam

Quem não aceita a vida com o sofrimento que ela carrega, dá-nos a todos um enorme elogio: o ódio só surge a partir do amor. Amor pelos que ama, pelos seus inimigos e mesmo por aqueles que ainda não conhece. Pelos que sofrem, pelos que riem, pelos índios nas montanhas, pelos patrões malvados, pelos trabalhadores felizes e as donas de casa; pelo leite queimado, pelo arroz estufado, pela manga viscosa; pelos leões magistrais, pelo mosquito no quarto, pelo pequeno-almoço apressado.

Porque quem odeia, odeia tudo. Odeia tudo na sua totalidade. Odeia as coisas boas e más, as longas e curtas, as que dão lucro e as que não dão. Odeia tudo porque ama tudo. E não nos podemos deixar de sentir lisonjeados quando encontramos alguém que ama tanto. Alguém que se sente injustiçado simplesmente por saber que um dia vai ter que deixar de amar.

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Passando pela casa amarela

A vida não é difícil. Nós é que complicamos. Passar pela vida devia ser simples… afinal, só estamos a passar por ela. Tal como se passássemos por uma casa amarela.
A casa está ali. E nós estamos de carro. Podemos ficar nevosos por não a ver. Ou por não saber onde termina. Podemos ter medo de quem vive lá dentro. Podemos até resistir passar por ela, ao lembrar os momentos que amámos e sofremos dentro dela. Mas no final de contas, parece estranho preocuparmo-nos tanto. Afinal, é só uma casa amarela. E nós só estamos a passar por ela.